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A SUN8 bateu um papo com os curitibanos do BlackPipe!
Rene Singer nos conta sobre os caminhos da banda!

10/03/2020


A banda curitibana BlackPipe, formada em 2012, tem como sonoridade musical e influência o rock inglês - britrock, presentes em suas letras, atitude e estética visual. Tudo isto com o tempero característico do rock sulista. A banda é formada por Rene Singer (vocal e guitarra), Eduardo Wronscki (baixo) e Caio Villapol (bateria). Em entrevista para a SUN8, o vocalista “gente boa” Rene Singer nos conta detalhes sobre a vida da banda, curiosidades, streaming, Lollapalooza e até futebol. Confira a seguir!



SUN8: A palavra BlackPipe, em inglês, significa Cachimbo Preto, que é uma referência aos investigadores britânicos. Isto acentua uma certa inquietude. O que querem desvendar, onde pretendem chegar? Quais são as metas e os sonhos? O que motiva a Black Pipe?

Rene Singer: Exato! Todos nós de certa forma temos muito dessa inquietude, cada um com sua particularidade, acredito que isso seria resumidamente o combustível da banda. O “desvendar” desse mistério significaria o sucesso que gostaríamos de alcançar. Acho que toda banda tem uma grande inspiração e a BlackPipe fez do cachimbo preto o seu espelho. O desejo de mudar alguma coisa, de uma simples banda pequena querer se tornar grande através da música. O caminho aos britânicos sempre esteve bem próximo a BlackPipe, conhecemos grandes amigos que nos inspiraram, como Carlão Britpop, Andreia Mocelin, Elvis e Joyce do The Cavern CWB. Além, claro, das três idas a UK e a Abbey Road. Vimos como funciona e como eles trabalham, foi incrível! Tudo isso nos motiva, queremos entregar mais para as pessoas.

SUN8: Você vivem da música? É um hobby? Como funciona para cada um? Qual o espaço da banda em suas vidas?

Rene Singer: Todos nós vivemos para a música, digamos assim, só não temos dinheiro ainda para largar tudo (risos). Nós temos empregos “normais”, mas somos apaixonados pela BlackPipe. Existe muita amizade, vontade e tempo para sempre estar fazendo algo por ela. Viver de música não é fácil, assim como qualquer outra profissão, exige muito trabalho e disciplina. Tem que fazer igual ao Didi dos Trapalhões, cobrar o escanteio e correr pra cabecear (risos).

SUN8: Em 2015, vocês lançaram o primeiro EP "Vizinho Irlandês", masterizado em Londres no Estúdio Abbey Road pelos produtores musicais Simons Gibson e Alex Warthon. Como foi isto? Quais as sensações? Ficaram inspirados para compor outras músicas? Quais?

Rene Singer: Em 2015 nós precisávamos lançar algo, pois em 2014 fomos tocar em um grande Festival para 17 mil pessoas, só que não tínhamos nenhum material gravado e isso poderia ter feito à diferença na época. Então, queríamos algo impactante e próximo da banda, e já que estava marcada a minha ida para Inglaterra, tivemos a ideia de masterizar na Abbey Road. Foi uma das coisas mais incríveis que já fiz na minha vida, só a lembrança de entrar no estúdio ainda me arrepia. Conhecer verdadeiros monstros da indústria, instrumentos icônicos que ainda estão lá, Abbey Garden e a simpatia de todos te recebendo como se você fosse um grande artista, com certeza, valeu cada momento.

“Vizinho Irlandês” foi uma DEMO especial que ficará marcada para sempre. Logo depois, em 2017, voltamos a Abbey Road para masterizar nosso novo single “Chinelo Sem Par”, novamente com Alex Wharton, que foi lançado dois anos depois. E agora, em 2020, voltamos a Abbey Road para mais uma sessão incrível. A BlackPipe já gravou dois álbuns inteiros que não foram lançados, mas já estão a caminho.

SUN8: Certamente, é um grande prazer para todos dividir o palco com grandes bandas e artistas nacionais e internacionais como Criolo, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Jason Mraz, Stevie Wonder e Edu K (Defalla). Como foi tocar com os gringos? Algum episódio que queiram ressaltar? O mais importante, interessante, divertido, assustador...!?

 Rene Singer: Nossa! Isso foi uma injeção de adrenalina. Ali, você descobre que está no caminho certo. Tocar com esses caras deu um gás, frio na barriga, estado de choque e muita satisfação, ainda mais em um Festival com Steve Wonder. Foi um dos dias mais felizes da nossa carreira. A estrutura, o profissionalismo, a tecnologia por trás de um grande show, isso nos fez querer mais. Temos certeza que voltaremos algum dia. Lembro que fomos ao camarim do Steve Wonder depois do show e tinha só cara gringo lá, ai nosso roadie, bem louco, foi até a geladeira do Steve Wonder e começou a consumir as coisas do cara (risos) e ficou lá de blá blá blá. Sempre quando tocamos acontece alguma coisa bizarra, tanto que o lema da banda é “O que mais pode acontecer hoje?”.

SUN8: Quantos festivais já participaram? Qual o mais emocionante? Alguma despertou inspiração para a composição de uma ou mais músicas?

Rene Singer: Participamos de alguns festivais, mas o de maior expressão foi a primeira edição do Circuito Banco do Brasil. Já na segunda edição batemos na trave, mas não vamos desistir (risos). Um festival desperta e aflora mais o lance da composição, faz com que você queira mostrar mais o seu trabalho, dar mais às pessoas. Sentimos muito isso no pós-show. 

SUN8: E o público? Qual a região do país que mais ouve vocês? Sul?

Rene Singer: Nosso parâmetro principal são as plataformas digitais e o que elas nos dizem hoje é que além de Curitiba, nossa cidade natal, São Paulo é a cidade que mais consome nossas músicas, depois Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Mas no geral, tem pessoas ouvindo em várias regiões do Brasil. Logo após o lançamento de “Chinelo Sem Par”, alcançamos mais de 70 mil streamings com as nossas músicas. Nossa meta é conseguir 100 mil streamings esse ano.

SUN8: Divulgar o trabalho nas redes sociais e streamings ficou mais fácil, mesmo não sendo garantia de sucesso, pois a disputa por espaços ainda é grande. Como enxergam as curadorias dos redutos do rock pelo Brasil? Estão receptivos em abrigar bandas que venham de outras partes do país?

Rene Singer: Sim, ficou mais fácil e mais difícil (risos). A indústria fonográfica está em mutação a cada dia e não sabemos ainda como e quando isso se estabilizará. Mas uma coisa é fato! Os streamings, ou melhor, os singles se consolidaram. As plataformas conquistaram a população mundial e no último ano, os streamings ultrapassaram 10% a mais de toda a venda de CDs arrecadada durante toda a sua história. As pessoas se acostumaram a ouvir em ordem aleatória e a consumir playlists. Isto faz com que a história, conexão e contexto de um álbum não façam mais sentido. Particularmente, eu prefiro ouvir um álbum, sentir a proposta da banda, mas a geração que está vindo tem outra maneira de se relacionar com música. O lado bom é que facilita muito a vida de uma banda, acelera e o resultado é instantâneo. Isso promove novos talentos e a enorme variedade de bandas independentes que, a meu ver, tendem a ficar mais fortes e mais atrativas do que os grandes artistas. Acreditamos que o fator territorial não impedirá um artista de se promover se ele tiver composições boas e de qualidade, mas não adianta também esperar sentado, tem que ir atrás e ralar muito, só beberás da água se passar pelo deserto.

SUN8: Recentemente, vocês tocaram na Arena da Baixada (do Atlético Paranaense)! Foi a primeira vez ou já tinham tocado antes? Qual foi a sensação de misturar rock e futebol?

Rene Singer: Foi a primeira vez que tocamos na Arena da Baixada, nunca tínhamos tido uma experiência em estádios. Essa mistura de futebol, rock e torcida é muito louca! O Caio é torcedor fanático do Athletico, não perde um jogo. Apesar de eu ter nascido em Curitiba, sou tricolor paulista. Vi na minha infância pela TV aquela época de ouro do São Paulo F.C.. O Edu não se liga muito em futebol, mas curtiu demais o show. Futebol sempre foi nossa válvula de escape, lembro bem quando éramos um quarteto ainda onde a banda toda era dividida. Metade era são paulina e a outra era athleticana. A família inteira da minha mulher é athleticana e por todos esses fatores temos um grande apreço pelo clube, além da organização que foi sensacional! Logo voltaremos a tocar lá e, quem sabe um dia, dentro do campo.

SUN8: Os fãs sempre demandam ao vivo e nas redes sociais. O que os fãs esperam de vocês? Existe uma interação da banda com eles?

Rene Singer: Nós estamos construindo nossa base de fãs agora. Acho que o público nas redes se identificam com a gente. Usamos uma linguagem bem direta e natural, acreditamos que isso é que deixa tão próxima a relação, quebrando esse campo de força que existe entre o público e a banda, não gostamos desse espaço vazio, nós simplesmente descemos do palco e vamos até eles, no mesmo degrau. Somos totalmente acessíveis e gostamos de conversar com as pessoas, somos pessoas comuns tocando para pessoas comuns, como qualquer ser humano. Tem algo diferente na banda, pois no começo confesso que a gente era muito ruim, mas mesmo assim as pessoas voltavam ao nosso show. Ficávamos pensando “Por que esse cara voltou?”.Eu não voltaria! Fomos pegando mais experiência, melhorando a qualidade musical. Ficamos dois anos inteiro ensaiando até ficarmos bons. Hoje em dia estamos colhendo excelentes frutos. Saímos satisfeitos do palco e nos divertindo muito. Acredito que o maior erro de uma banda é querer escolher o seu fã. Achar que o cara que é fã de uma banda que você gosta também vai virar seu fã. Às vezes o seu fã é alguém que não tem nada a ver com você.


SUN8: Nesta fase de pedir votos, “dedada” como vocês mesmos dizem, para tocar no Lollapalooza, você sentem entusiasmo, ou neste imenso oceano que viraram as redes, a mensagem ou o pedido se perdem? Vocês acham que rola? Vão tocar no Lolla?

Rene Singer: Olha, eu não sou muito entusiasta dessa nova fase em que tudo tem que votar ou compartilhar para obter algo, até pedir favor, mas a realidade nós submete a isso, temos que tentar e acreditar, esse é um ponto. Agora, se formos pensar sabiamente, e partir de outro ponto, de que tudo é uma questão de perspectiva como eu sempre digo, por que não? Se o que estamos vivendo é um sonho, então por que não sonhar? Por que não mergulhar fundo nessa história? Isso é acreditar em algo não palpável. Isso nos movimenta, e tudo que está em movimento tende a ficar em movimento a menos que algo interfira. É essa a perspectiva que nós acreditamos, nós vamos sempre estar tentando, com todas as forças. Nunca tenha vergonha de fazer  o que tem de ser feito. Nunca tenha vergonha da sua banda, da sua música, das suas escolhas. Tocar no Lollapalooza seria sensacional e é algo que queremos dividir com as pessoas. Tentaremos até o final, sendo através de votos, post ou compartilhamentos, não importa. As oportunidades não tem formas bonitas ou feias, são apenas oportunidades e temos sempre que tentar tornar isso em realidade.

SUN8: Os streamings ajudam ou atrapalham?

Rene Singer: Boa pergunta (risos)! Não tem resposta certa ou errada sobre os streamings pois é uma questão pessoal e interpretativa. Mas eu posso dar o meu ponto de vista. Eu sou um saudosista da fita K7 e do vinil, pra mim o som transformado em matéria é a coisa mais maravilhosa que existe, são peculiares e traz uma imersão ao mundo do artista. Mas, hoje, é muito caro. Lembro que era barato na minha época.

O mercado mudou com a vinda da internet ao Brasil em 94/95, enfraqueceu o consumo. Com R$ 16,00 você assina uma plataforma e escuta o que você quiser. Isto também aumentou a demanda por remasterizações. A nova geração não se incomoda em consumir a versão digital, ela quer pagar menos e sem propaganda. Com a vinda dos streamings o desgaste que existia anteriormente em esperar seis meses a um ano para que seu álbum ficasse pronto mudou, agora é menor. Os singles ficaram mais fortes. Vários artistas preferem lançar o single porque é mais viável. Além disto, tem os rankings criados pelas plataformas, quanto maior a periodicidade de lançamentos, mais chances você tem de entrar numa playlist onde só tocam singles. Isso não fará com que o romantismo do vinil desapareça, pelo contrário, vai deixar a agulhada mais macia de se ouvir a cada dia.

SUN8: No momento o Brasil atravessa uma onda conservadora, a cultura sempre será objeto transgressor, como vocês enxergam a música da banda? 

 Rene Singer: Satânica, lógico (risos)! Chegamos ao ponto em que a insanidade das pessoas está realmente afetada. Nós vivemos em um país atrasado e movido por interesses, isso há muito tempo.

Nossas canções são casuais e referentes ao comportamento do ser humano em si, objetivando sempre a obra. Não nos envolvemos com o fator político porque não dominamos o assunto. Todos devem ser respeitados, mas tudo que não converse com o novo momento da sociedade, principalmente com os jovens, vai ficando para trás.

SUN8: Vocês já se interessaram e/ou apoiam trabalhos sociais voltados para arte e cultura? Quais?

Rene Singer: Sim! Acho que é fundamental leva a arte para quem precisa. Nós faríamos com certeza. Esses dias eu sonhei que estava fazendo um show para crianças com câncer e lembro-me que eu falava que era onde eu queria estar.

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Instagram: @bandablackpipe

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